Ralações

Inspirada por um post no Tagus e posteriores comentários, achei que era altura de falar sobre as Relações Inworld. Não de relações de simples amizade (em que simples não implica necessariamente superficial) mas de relações que envolvem sentimentos mais fortes.
Ao princípio, quando entramos sozinhos num mundo totalmente novo, e completamente a zeros quanto ao que por lá se faz e passa (como foi o meu caso), passamos por aquilo a que eu chamo a “euforia da descoberta”. Tanta bolinha no nosso caminho, tanto SIM romântico à espera de despertar todos os nossos sentidos. E lá começamos nós a descobrir novas animações, evoluindo diariamente para experiências cada vez mais fortes. E, por mais que para nós possa não passar de simples curiosidade, não nos podemos esquecer que, para quem quer que participe connosco na experimentação, certas animações podem sugerir outro tipo de envolvimento que, por este ou aquele motivo, pode não ser possível. Por isso, é preciso ir com calma na altura em que começamos a descobrir que há muito mais para descobrir, pois alguém pode sair muito magoado.

Mas então os avatares não são só bits e bytes e cores e animações e tecnologia? O que se mexe à frente dos nossos olhos pode ser, sim, mas a responsabilidade pelo que eles fazem, dizem e provocam é do humano que está “do outro lado da telinha”, o ventríloquo, como lhe chama a Deusa. E a alma desses é que conta.

Se pensarem bem, um avatar deixado ao acaso, por exemplo a acampar enquanto nos afastamos da máquina para fazer uma outra coisa qualquer, nada tem que se lhe diga, por mais bonita e interessante que seja a sua aparência. No fundo, não tem conteúdo, não tem alma, não tem coração. Por isso, e depois de alguns episódios menos felizes, aqui vão alguns conselhos:

  1. O SL, este nosso admirável mundo, não é (desengane-se quem o continua a pensar) um jogo, do mesmo modo que as relações não são jogos (ou não deveriam ser). Quando são, transformam-se em ralações.
  2. Experimentem, sim, mas tendo sempre em conta aquilo que a outra pessoa-avatar poderá pensar; se necessário, expliquem e reforcem que aquilo não passa de uma experiência para satisfazer a curiosidade;
  3. Sejam sempre simpáticos, mas não avancem para o campo da sedução se não tiverem intenções mais ou menos sérias em relação à pessoa; certifiquem-se de que não há outras pessoas envolvidas pelo meio (inclusive off-world), a fim de evitarem inimizades e ressentimentos sempre supérfluos;
  4. Tentem separar as águas (in-world e off-world), se bem que é extremamente difícil, porque a maior parte das vezes os sentimentos são reais, a não ser que sejamos muito bons actores;
  5. E, last but not least, não tragam os avatars à rua de forma ligeira. Um envolvimento in-world não resulta necessariamente off-world. Uma amizade, quando sincera, resulta sim, até porque vamos conhecendo a pessoa e aprofundando o sentimento. Qualquer coisa de mais forte só resulta quando temos mesmo a certeza do que queremos, e isso só acontece quando fazemos uso do tempo para irmos descobrindo o corpo e a alma por trás do avatar. Não cedam às promessas da paixão, mas, se assim o entenderem, deixem-na ir fervendo em lume brando até se transformar em amor. Demorem o tempo que for preciso e, acima de tudo, sejam felizes.
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18 Respostas

  1. Mmmm… cronológicamente, é claro que este post da Maggie é para ser tido em conta ANTES – MUITO ANTES – de passarem à fase descrita no meu post em baixo !

    Assunto sempre dificil Maggie… se me ponho a escrever sobre isso nunca mais largo o osso – acho ke por isso mesmo sempre evitei abordá-lo, hehehe

  2. Eskeci-me de o dizer em cima, mas obviamente… PARABÉNS pela coragem ! 😀

  3. Ora, linda, coragem nada! A gente só aprende mesmo a dar cabeçadas na parede. Mas parece que aprendi a lição e agora estou feliz.

  4. Ser amigo é trocar e falar sobre os nossos espaços, as nossas experiências, as nossas sabedorias. Sendo Portucallis e a Tagus comunidades de amigos, é fundamental opinar e alertar sobre o que realmente tem valor nesta nossa segunda vida; como viver materialmente e como viver sentimentalmente, a segunda vida.
    Considero o teu post extremamente enriquecedor, tal como todos os outros, e oportuno. E essencialmente concordo com o que descreves, se bem que a minha opinião tenha um valor relativo.
    Obrigado Margarida, 😀

  5. As opiniões todas têm sempre um valor relativo, Piedro, hehehe

    E as razões, e as verdades, são tantas quantas pessoas existem em cada mundo.

    No meio de tudo, a tristeza maior é sem kerer magoarmos outras pessoas, e magoarmo-nos a nós próprios no processo.

    Felizmente, há sempre amanhãs, mesmo ke longínkuos. E mais cedo ou mais tarde todos acabamos por nos levantar e ver a luz, como diria o tp 😀

  6. Andava eu ainda de calções na SL quando conheci pela primeira vez a Philbin. lembro-me perfeitamente da noite do bar do Ismo quando as cervejas já não faziam efeito e estava farto de comer “tiger prawns”…como um perfeito newbbie desnorteado.
    Ainda não sabia como o “voice” funcionava e experimentei pela primeira vez ligar o “botanito”.
    A conversa do momento tinha a sua piada…para mim que me tinha sempre limitado às teclas foi uma grande surpresa. Reparei por exemplo que a voz de alguns avatares não correspondia de todo à imagem que vestiam. A Philbin tinha entretanto chegado de algures de uma festa de bruxas e tossia, tossia com a sua voz particular, ouvia e suspirava… enquanto eu tentava dar uma volta na conversa que estava a descanbar na parvoíce. De um lado alguém que com alguma coragem, se expunha e falava de si e dos outros… matéria sempre complexa e delicada que argumentava com a psicanálise de café, habitual dos pequenos malandros.
    A Philbin manteve-se serena e disse poucas coisas. Como a desculpar com o cansaço a falta de pachorra, entre tosse e suspiros. São putos… Fokas! Quando chegarem à nossa idade vão ver a vida de outra maneira! Enfim!…
    Foi nessa noite que conheci a verdadeira Philbin que iria modificar a minha vida e sobertudo o meu comportamento na SL! No dia seguinte resolvi ir falar com a Winther (que andava em construções) e que ao ver-me no seu jardim muito delicadamente me perguntou se havia algo de errado que eu quisesse falar. Foi outra surpresa e não menos agradável que a da noite anterior. Sem ainda conhecer os códigos oficiais da Afro e do Pedro, recebi as minhas primeiras lições de vida na SL com duas grandes senhoras que tenho a honra e o prazer, de seis meses passados na SL, serem hoje minhas amigas, com quem falo a sério, sorrio e brinco, mesmo sem nunca as ter conhecido ainda na RL.

    Isto é só para dizer que tenho chocolates belgas para as duas e que são best before…são para elas estas flores!

  7. Já escrevi o que tinha a escrever num comentário a um post da Afro aqui há uns tempos e sobre amor e paixões nada quero acrescentar. Quero acrescentar algo que na altura não me ocorreu. É inacreditavel a intensidade com que se vive e como em pouco tempo podemos fazer amizades para a vida. Algumas das que fiz nos últimos tempos sei que são para durar. E há mesmo uma que se entranhou na minha pele e assumiu estatuto de família. Adoro-te mana!

  8. Eu preferia neste momento um whiskyzito de malte de 12 anos tipo Cardhu para conseguir “digerir” o que já foi dito…

  9. Obrigada eu, Piedro. Os conselhos que deixo neste post resultam exclusivamente de experiência pessoal e quase que representam uma confissão de todos os erros que cometi ao longo dos vários meses (quase 8) que tenho de SL. Devido ao que senti e ao que fiz sentir, e também porque desejo a todos o mesmo que sinto e vivo agora, resolvi partilhar estas palavras.

  10. Bolas, os meses eram 8 (oito) e não um smile com óculos escuros.

  11. Nesta altura do campeonato só posso dizer uma coisa: amo-te do fundo do coração mana, muito mesmo!!!

  12. “E lá estamos nós, com o PRIMEIRO AMIGO QUE FIZEMOS IN-WORLD, a descobrir novas animações, evoluindo diariamente para experiências cada vez mais fortes. E, por mais que PARA NÓS POSSA NÃO PASSAR DE SIMPLES CURIOSIDADE, não nos podemos esquecer que, para a outra pessoa, pode parecer mais que isso. Especialmente porque, QUANDO NOS FARTAMOS DO PERÍODO EXPERIMENTAL E JÁ NÃO HÁ NADA DE NOVO PARA DESCOBRIR ALI, poderá haver FERIDOS.”

    Isso foi o que escreveste, inicialmente! O facto de teres alterado o post não muda nada… Deves estar satisfeita, afinal sabes que li essa versão original e sabes que me ficou atravessado.

    Não percebo o que queres! O 1º amigo de que falas sou eu e vens dizer que não passei de simples curiosidade, que fui uma experiência, deixei de ter interesse e fui apenas um ferido? E vens dizer isso ao povo!?
    Não percebo mesmo! E não tenho de engolir isto e estar calado!

    É impressionante, dizes que vens admitir que erraste e ao mesmo tempo vens meter nojo com a tua conversa do só foi curiosidade, uma experiência, quando sabes que, antes, gostava muito de ti.
    O problema não é pensares assim, aceito que para ti seja tudo isso. O que está mal é vires aqui provocar! Podias ter escolhido outras palavras, mas não… foram aquelas, ligadas ao primeiro amigo, eu. Conseguiste ódiei.
    Não percebo o que queres!

  13. Eu pecadora me confesso. O meu primeiro amigo e parceiro de descobertas acompanhou-me durante uns dois meses nessa viagem fascinante em busca das bolinhas todas e mais algumas. A nossa convivência terminou no dia em que percebi que a vivência da coisa tinha assumido do lado de lá outras proporções.

    Em contrapartida, o oposto também já me sucedeu. Percalços de quem arrisca. A opção é fechar-se no seu casulo e deixar de o fazer. O perigo maior, é claro, é afectar indelevelmente as vidas de pessoas com quem nunca chegamos realmente a cruzar-nos.

    O que fica no fim ? Um maior e melhor conhecimento de nós próprios e dos outros, dos limites que se devem ou não transpor – a escolha, essa é sempre individual.

  14. E que blog foste usar para escrever que esse teu 1º amigo, só foi uma experiência, uma curisidade e um ferido, Summer?

  15. Nuno, adoro-te. Não vou entrar em polémicas contigo, lamento. Já te disse particularmente, e repito-o publicamente. Entendo as tuas razões todas, já passei por isso. Como já estive do outro lado também.

    Se escolhes disparar em todas as direcções, lindo… tenho pena, mas respeito isso. E podes até deixar-me numa furia enorme e a trepar pelas paredes – isso não vai invalidar a amizade que sinto por ti. Beijo.

  16. É preciso ter calma, tudo se resolve, não vale a pena ter-se conflitos verbais aqui na SL, para que?, devemos respeitar-nos todos uns aos outros, seguir algumas regras para não termos Ban, levar-mos alegria e boa disposição a todo lado com muita cor e luz, pois do outro lado dos bonequinhos enfeitadinhos a nosso bel prazer, estão pessoas a serio, com sentimentos e é para isso que estamos aqui, para conviver, para dar-mos largas á nossa imaginação, termos os nossos brinquedos virtuais para brincar, com voar, correr, claro sem prejudicar o proximo. Um abraço para todos deste vosso amigo. Afterlab ” lag” 😉 – PAZ E LUZ *

  17. É essa a leitura que eu própria faço deste espaço também, after. Mas é como eu sempre digo, o SL tem este condão de trazer à tona o melhor e o pior de cada um de nós 😀

    E por mim falo, obviamente, hehehe

  18. […] Publicado em Fevereiro 26, 2008 por Nuno Knoller Depois das provocações (ou ralações) da outra e da minha reacção a quente […]

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