Música ao vivo in-world

(Olhem, isto é um testamento, sim ? Quem não se interessar pelo assunto, desde já aviso que é melhor passarem à frente)

Desde que me lembro, sempre vivi com música à volta. Acordo ao som da música, ouço-a durante o dia, deito-me embalada por ela. E desde o início, uma das actividades que mais me atraíu in-world foi assistir concertos ao vivo. Confesso que o conceito de ouvir ali, em directo, alguém que atrás de outro computador canta e toca me fascinou desde que descobri que isso era possível.

Assim que foi possível, trouxemos uma série desses cantores a Portucalis. A maior parte, músicos amadores sem uma carreira paralela na vida real, que aproveitam este veículo para, entre covers de músicas que todos apreciamos, divulgarem os seus próprios originais. E quantos valores se escondem por aí, sufocados por uma industria discográfica cada vez mais às voltas, ela própria, com questões que a vêm ultrapassando e estrangulando a respectiva rentabilização.

Adiante. De há alguns meses a esta parte, como é mais ou menos do domínio geral também, comecei a ter a perspectiva “do outro lado”. A visão do próprio músico/cantor/compositor. Que se esfalfa a actualizar reportórios continuamente, que a maior parte das vezes conjuga um trabalho real diário (como todos nós) com uma carreira levada mais ou menos a sério, à noite e que implica contactos constantes e prática diária. Tal como os designers, que nos oferecem os mais diversos produtos, os músicos serão uma população privilegiada, já que vêm resultados directos e imediatos do trabalho desenvolvido, traduzidos em pagamentos em cash.

Ultimamente, diversas conversas que tenho mantido ou assistido entre músicos e donos de clubes e palcos, a par com este post do PalUp, levantaram uma série de questões que me têm deixado às voltas. Sem dúvida, todos aqueles que se dedicam a uma actividade de forma diária, intensiva, muitas vezes com prejuízo das suas outras vidas merecem uma remuneração. Para vos dar uma ideia, os honorários actuais dos músicos in-world variam entre os 4K L$ e os 20K L$ (estou propositadamente a deixar de lado os megas concertos que reproduzem as actuações das grandes bandas, que esses levam o valor astronómico de 50K L$) – o próprio mercado in-world vai estabelecendo os preços e “rotulando” o nível dos músicos de acordo com a quantidade de fãs que arrastam consigo e atraem para a “venue”.

Confesso que sempre perspectivei a contratação de músicos em Portucalis como um serviço que se presta à comunidade. Quando, financeiramente, não nos é possível fazê-lo, aí abrandamos, tentamos ir por outros caminhos. Contudo, nos ultimos tempos, tenho assistido a muitas queixas provenientes de diversos proprietários dos ditos clubes e “venues”, todos eles relacionados com o esforço que vão fazendo sem verem grandes alternativas… e como é obvio, muito menos o retorno do investimento.

A mim, que desde o início percebi o sistema como o expliquei em cima, confesso que me faz uma certa confusão este tipo de raciocínio. Alguém no seu perfeito juízo pode esperar tirar lucros de uma situação em que despende, digamos, uns 5K e aguardar que a audiência, habituada a música gratuita, seja generosa o suficiente, ou tenha sequer os meios, para o reembolsar e até lhe proporcionar alguma margem a mais ? Mmmm…

A verdade é que são cada vez mais os proprietários a queixarem-se e isso deixa-me preocupada. Como co-proprietária de uma “venue”, sem dúvida que seria muito mais agradável ter pelo menos o retorno daquilo que seria então um investimento. Afinal, para haver um concerto significa que o dono de tudo aquilo está a pagar uma série de lindens pelo espaço, e se esfalfou (muitas vezes recorrendo ao serviço – pago – de outros construtores) a construir um espaço o mais agradável possível. Obvio que o dito retorno permitiria que muitos mais concertos viessem a existir.

Como espectadora e consumidora de concertos, por outro lado, não me agrada nem um pouco a ideia de ser obrigada a pagar qualquer tipo de taxa. A maior parte das vezes vou à aventura, ouvir pessoas de quem nunca ouvi falar e cuja prestação nem imagino se me irá agradar ou não. E mesmo quando vou ouvir alguém de quem gosto, nem sempre estou em situação de tipar. às vezes, simplesmente não me apetece. E agrada-me este estado de coisas, enquadra-se perfeitamente no tal espaço de liberdade que insisto em pensar nos é oferecido por este metaverso em que andamos.

Soluções ? Sponsoring de alguma forma ? A quem, aos músicos, às venues, a ambos ? Andar a bater às portas de mecenas, de certa forma andar a pedir favores ? Obrigar os músicos a baixarem os honorários ? Instituir um sistema de “entradas pagas” de alguma forma ?

Não sei, e não consigo ter nenhuma ideia brilhante a este respeito. Do que tenho ouvido, nasce isso sim um receio crescente que esta desmotivação dos proprietários de palcos e clubes mate simplesmente, a médio ou longo prazo, a música ao vivo in-world. Pessoalmente, odiaria que isso acontecesse e creio que muitos de entre vós partilharão deste sentimento. Creio que é uma das grandes mais-valias, a revelação de novos valores, a constante renovação de nomes, o verificar que só os melhores conseguem efectivamente sobreviver e que muitos acabam por chegar à conclusão que lhes falta algo para dar o salto e simplesmente desaparecem. É um meio de conhecer novos amigos, ou de simplesmente passar o tempo quando o que temos em mão ultrapassa a vontade de fazer seja o que for.

Seria uma pena, digo eu. Mas é inevitável, se não se fizer algo e se a tendência por entre os proprietários continuar a alastrar. Por fim, é de certa forma perigoso e cria um precedente que poderá vir a afectar as restantes profissões ligadas ao entretenimento, como os djs, hostesses, etc… Limitar-nos-emos daqui a uns tempos aos streams das internet radios por aí ? Nem quero pensar, na hipótese da música desfalecer assim in-world…

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12 Respostas

  1. Não estaremos a levar tudo muito a “sério” num mundo que supostamente deveríamos “divertirmo-nos” e passar um bom bocado e brincar o mais possível?

  2. Poizé, Electro, eu concordo… mas não há duvida ke a música ao vivo faz parte do meu divertimento – é natural ke às tantas me preocupe a hipótese de ela poder vir a ser significativamente reduzida ou até mesmo desaparecer 😦

  3. Agora imagina eu com a nova faceta de querer ser DJ “in-world” as voltas ao juizo que dou para criar umas playlists para as pessoas ouvirem numa próxima sessão (eu falo mas também ando apanhadinho por isto)… 😕

  4. Vês ? É por aí sim… no fundo, acabamos todos por esperar algum tipo de compensação kd a coisa começa a ser “trabalho”. E sobretudo kd começas a ver os teus lindens desaparecerem rapidamente sem retorno… aí definitivamente começas a ver as coisas sob outra perspectiva 🙂

  5. Pois… 😦 (já fiquei mal disposto outra vez)

  6. Tal como tu Summer uma das coisas que mais me atraiu inworld no início foi a musica ao vivo. Continua a ser aliás, e acho meritório o esforço quer dos donos das venues, quer dos músicos uma vez que todos sabemos que no fundo a grande maioria deles não ganha para as pastilhas de mebocaína para a garganta 🙂

    Nestas andanças, e conhecendo a maioria das venues em SL, deparei-me com básicamente duas situações:

    – a dos donos que pretendem de facto rentabilizar o espaço, e muitas vezes fazem um investimento astronómico (incluo neste grupo um amigo que para esse efeito adquiriu uma ilha e adjudicou a sua terraformação a um dos mais importantes e caros grupos de SL, mas que quando abrir ao público é para dar lucro).
    E nestes casos o capital inicial tem que ser muitissimo elevado, e os proprietários dispor de “à vontade” financeiro suficiente para sustentar a venue até ela começar a dar algum lucro, o que pode demorar. Talvez por isso venues não se aguentem e fechem.

    – a outra situação é de quem por adorar música ou até por ser músico na RL decide abrir um espaço, sabendo que o pode sustentar, para música ao vivo. Foram estes espaços que me atraíram na SL, tendo tido a sorte de no inicio, assim que aterrei inworld, ter ido parar ao Hummingbird, com pessoas fantásticas que são o Dimmi VanLudwig e a Leira, no acolhimento que fazem a quem lá chega e na divulgação de novos valores (muitos poucos músicos inworld não começaram a sua carreira no Bird). E nesta ultima categoria incluo Portucalis, obviamente. Claro que umas tips à venue ajudam e eu acho em absoluto que devem ser feitas, mas sei que o lucro não é condição de sobrevivência da mesma.

    Ok, este relambório todo para quê, lol,

    O que eu acho é que as venues que existem há algum tempo, e que não tem de facto essa perspectiva de retorno, como as Rocky Shores, o Bird, Crazy Sharks etc, vão continuar enquanto os proprietários tiverem condições finaceiras para isso (e a RL dá voltas como sabemos, mas não dependem de condições inworld).

    Quem avança para isto com uma perspectiva de lucro, não se aguenta, porque para isso precisa de por um lado ter L’s para aguentar a situação, e por outro oferecer um produto em troca que seja excelente (quem anda pela música ao vivo sabe que nem sempre acontece).
    E esperar um tempo, porque demora, e porque na SL não estamos habituados a pagar para entrar :), logo uma mudança de mentalidade por parte dos residentes também (o q é o mais complicado).

    Convenhamos que nos locais que actualmente existem quantos conhecemos que pagariamos para entrar, e quantos músicos pagariamos para ouvir?

  7. Possivelmente em nenhum…

  8. Tary, relambórios com relfexões assim inteligentes são sempre mais ke benvindos… e eu sem dúvida ke concordo com cada palavrinha tua. A tempo, todos esses proprietários de clubes e palcos ke cá chegaram em busca de lucro vão perceber ke não é por aí – e isso vai sem dúvida afectar o movimento musical todo in-world, porke muitos dos concertos actualmente ainda passam também por esse tipo de locais.

    Pode ser que, numa perspectiva optimista, a longo prazo isso signifique só sobreviverão apenas as venues que oferecem os concertos para usufruto dos frequentadores – e o fazem de olhos bem abertos… e que por outro lado só sobreviverão também os artistas que ali estão efectivamente para divulgar o seu trabalho. Os que vêm apenas à procura de lucro fácil irão também, eventualmente, nas cheias.

    Engraçado… conseguiste realmente chegar a algumas conclusões que até nem são nada más, amiguinha linda, hehehe :*****

  9. Sempre me fez espécie o estar a tentar conseguir lucros com algumas coisas. Se é dificil alugar uma casa ou uma loja e isso só implicaria “primos”…

    Na verdade o que se passa com a música ao vivo e cm os DJs em relação ao venues é semelhante. Por muitos que os hosts se esfalfem 90% das tips são pr os músicos e DJs. Porque esses dão a cara e mostram o seu trabalho na altura. Quem gosta tipa. E eu ultimamente só tenho tipado mesmo quem gosto :)… Claro que enquanto um DJ pode não ter salário (e se bem me recordo na história do Tagus só houve um k me pediu pagamento fixo), quando são bons, novidades e o pessoal gosta tipa. E por vezes tipa (mto) bem. O DJ…ou o músico.
    Eu reconheço isso..e infelizmente, foi sempre a questão dos L que me têm impedido de apoiar ainda mais amigos cantores e contratá-los… reconheço-o.

    Faço algumas excepções para eventos importantes…aí digo, pois claro que sim…de resto…pois há algum tempo havia um espanhol que estava a pedir 5000L por semana pr em conjunto animar-mos uma ilha com live music (sim, barato para alguns artistas). Pois bem… por mto que goste de live music, não vou poder nunca fazê-lo…
    Prefiro arranjar alternativas mais baratitas.. pois custos fixos mensais são muito complicados… já basta as tiers. Sobretudo num mundo onde é suposto “divertirmo-nos e passar um bom bocado e brincar o mais possível”…
    Também é verdade que temos a noção de que os “camones” sempre tiparam mais. E é verdade… Daí não podermos nos esconder na nossa “concha”, atravessar-mos o Tagus (rio) e partir novamente nas descobertas.

    Claro se como a Summer diz, até os venues “concentuados” d música ao vivo no SL começam a fazer contas e achar que não vale a pena… Pois então temos todos de nos preocupar mesmo. Porque passa a ser cada vez mais como na RL.

  10. Se calhar porque até “in-world” tudo o que queremos custa dinheiro (ainda que virtual) e para o ter temos de trabalhar (maldita realidade virtual)…

    Depois a malta admira-se… 😦

  11. Olá a todos uma boa noite 🙂

    Como não podia deixar de ser gostava de dar o meu parecer sobre este assunto.

    Como quase todos sabem tenho a actividade de musico Inworld e também RL embora infelizmente não seja ainda tão activa como é no SL, concordei com tudo o que a summer escreveu embora penso que transcrito no ponto de vista de Gestora ou dona de uma venue passo a explicar ehehe.
    É verdade que alguns músicos tem a capacidade de ganhar bons lindens no sl e posteriormente tem a capacidade de o converterem para dinheiro Real, agora até aqui a questão não divulgada será as despesas do próprio musico, quais despesas terão eles? podem ser coisas simples de como um conjunto de cordas, a compra de novos equipamentos para a posterior qualidade minimamente decente, placa de som para um bom balanço de som, interfaces de guitarra, micro, moniçao ou até mesmo adquirir um novo instrumento em prol de uma experiência do publico que ouve através de formato digital o som e a qualidade torna-se praticamente um requisito etc etc, que estamos a falar equipamento na ordem de centenas de euros ou para alguns mesmo milhares.
    E agora questionam-se que teoricamente já deveríamos ter tudo isso até ai não podia estar mais de acordo, mas para quem tem esse equipamento se algum componente se danificar parcialmente ou completamente quem pagará essa Reparação ou substituição? Nós, e para músicos regulares Inworld a experiência poderá chegar ate mais de 15 horas de uso por semana, o que já implica algum desgaste realmente físico ao equipamento, do que seria normal em tocar por diversão ou ensaio em casa, juntando isso a esse equipamento ultrapassa as 30 horas de uso semana, sei que é chato mas a realidade e que o tipo de hardware usado para este fim artístico é de longe de ser barato para a nossa infelicidade.
    Posto isto, ainda temos que manipular todo o nosso horário da vida real em torno dessa agenda, chamaremos “virtual”, como de passear, estar com família, namorada seja o que for, para tocar em prol de alguém que poderá estar interessado em fins comerciais,social ou meramente publicitário, e isto nunca será diversão para um musico, este simplesmente passa para actividade profissional ou de uma prestação de serviço chamaremos assim.
    Compreendo que é complicado ter um club ou venue, tenham os seus proprietários condições ou não financeiramente para sustentar esse “luxo” aos seus residentes, mas categoricamente a musica free (gratuita) não é uma realidade existente em ambos os mundos, e no mesmo a escolha da actividade de serem donos de uma venue ou clube passa pelo os mesmos respectivamente o que significa que acho que a solução passa pela a responsabilidade e dos que acharem possuir as condições ou não de sustentar.Que pode passar pela a gestão dinâmica do negocio que escolheram.
    Como tudo na vida haverá uma solução, que na minha opinião (que vale o que vale) passa pela a coerência de ambas as partes Músicos/Proprietários nas fees realistas que consideram justas para o seu trabalho, e terem em conta a plataforma em que se encontram.
    Tentei ser o mais parcial e breve possível :)))

    Uma boa noite a todos e bons eventos

    Cumprimentos
    O.

  12. […] Música ao vivo in-world […]

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